Demanding Justice for the Four Lives Taken at West Portal

Hon. Bruce Chan, San Francisco Superior Court Judge

Matilde Diego Joaquim and Caue on beach

Request for Community Support from the Families of Diego, Matilde, Joaquim, and Cauê/ Apelo de Apoio à Comunidade por parte das Famílias de Diego, Matilde, Joaquim e Cauê

We are the surviving family members of Diego Cardoso de Oliveira (40), Matilde Moncada Ramos Pinto (38), and their sons Joaquim (1) and Cauê (3 months), who were killed on March 16, 2024, while sitting at a bus shelter in the West Portal neighborhood of San Francisco. A vehicle driven by Mary Fong Lau traveling in excess of 70 miles per hour in a residential area struck and killed all four members of our family.

In the criminal action People of the State of California v. Mary Fong Lau, Judge Bruce Chan, who is handling the case, accepted no contest pleas to four felony counts of vehicular manslaughter and has indicated that he is not inclined to impose any jail time and, instead, is likely to impose a sentence of only two years of probation, without home detention and without meaningful community service.

We are heartbroken and deeply troubled by Judge Chan’s decision to accept Mrs. Lau’s no contest felony pleas over the objection of the San Francisco District Attorney and to then indicate that his likely sentence will be only two years of probation. We believe the Court should not have accepted a no contest plea in a case involving the loss of four lives — including two babies. A no contest plea avoids a direct admission of guilt and allows the defendant to resolve the case without personally acknowledging responsibility in open court. In a case of this magnitude, justice requires a clear and unequivocal guilty plea to the four felonies. Adding insult to injury, we are appalled that Judge Chan is considering two years of probation as the only consequence for Mrs. Lau’s taking four lives.

After Judge Chan announced his position on February 13, 2026, thousands of people took to social media to express their outrage and express their support for our family. We are extremely grateful for their support. It means more than anybody can imagine. We have also been contacted directly by friends and supporters asking if anything can be done to help. We believe there is.

We are asking members of the public who believe in accountability, equal justice, and public safety to join us by signing a petition addressed to Judge Chan requesting that he reject the no contest plea, require a felony guilty plea that reflects full responsibility, and impose meaningful consequences proportionate to the gravity of this crime — including custodial measures, structured community service tied to public safety, and appropriate restrictions to protect the community.

The record shows no evidence of impairment, no medical emergency, and no mechanical defect. Our loved ones were killed by Mrs. Lau in broad daylight, in a residential neighborhood while she was driving at an extreme speed. Since the crash, there has been no personal expression of remorse in open court and no direct acknowledgment of responsibility. The Judge’s indicated sentence of probation alone risks sending a message that four lives can be taken without consequence.

This case is not only about our family. It is about whether the justice system treats the loss of four innocent lives with the seriousness it demands. It is about whether age or background can effectively diminish accountability in cases of catastrophic harm.

We invite those who share these concerns to add their names to the petition below addressed to Judge Chan urging reconsideration before final sentencing and asking that the no contest plea be rejected, that a guilty plea to four felonies be required, and that the sentence imposed reflect the magnitude of Mrs. Lau’s criminal acts.

March 20, 2026, the sentencing date, marks the second anniversary of our beautiful baby Cauê’s death after four days in intensive care battling for life. We hope the Court will honor his memory — and the memory of his family — by ensuring real accountability.

Respectfully,

Maria Ana de Mesquita Cabral de Moncada (Mother & Grandmother)

Fatima Cardoso (Mother & Grandmother)

Plinio de Oliveira Filho (Father & Grandfather)

Luis Ramos Pinto (Brother & Uncle)

Denise Cardoso de Oliveira (Sister & Aunt)

Dennis Cardoso de Oliveira (Brother & Uncle)

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Apelo de Apoio à Comunidade por parte das Famílias de Diego, Matilde, Joaquim e Cauê

Somos os familiares sobreviventes de Diego Cardoso de Oliveira (40 anos), Matilde Moncada Ramos Pinto (38 anos) e dos seus filhos Joaquim (1 ano) e Cauê (3 meses), que foram mortos no dia 16 de março de 2024, enquanto estavam sentados numa paragem de autocarro, no bairro residencial de West Portal, em São Francisco. Nesse dia, o veículo conduzido pela Sra. Mary Fong Lau circulava a mais de 70 milhas por hora (c. 110 km/h) e colidiu com eles, causando a morte dos quatro.

No processo-crime People of the State of California v. Mary Fong Lau, o juiz Bruce Chan, responsável pelo caso, aceitou declarações de não contestação (no contest) relativamente às quatro acusações criminais de homicídio involuntário por negligência com um veículo automóvel e indicou não estar inclinado a aplicar qualquer pena de prisão efetiva, sendo provável que imponha apenas dois anos de pena suspensa — sem prisão domiciliária e sem prestação de serviço comunitário relevante.

Estamos devastados e profundamente perturbados com esta decisão do juiz Chan de aceitar que a Sra. Mary Fong Lau declare não contestação (no contest) relativamente aos crimes graves (felony) de que foi acusada, contrariando a posição da Procuradora de São Francisco, e de indicar que a pena provável a aplicar será apenas dois anos de pena suspensa. Entendemos que o Tribunal não deveria ter aceite uma declaração de não contestação (no contest) num caso que envolve a perda de quatro vidas — incluindo dois bebés. Uma declaração de não contestação (no contest) evita uma admissão direta de culpa e permite à arguida encerrar o processo criminal sem reconhecer pessoalmente a sua responsabilidade.

Num caso desta magnitude, a justiça exige uma declaração clara e inequívoca de culpa relativamente aos quatro crimes. Consideramos profundamente chocante que o juiz Chan esteja a ponderar apenas dois anos de pena suspensa como a única consequência pela morte de quatro pessoas.

Após o juiz Chan ter anunciado a sua posição no passado dia 13 de fevereiro de 2026, milhares de pessoas recorreram às redes sociais para manifestar a sua indignação e o seu apoio à nossa família. Estamos profundamente gratos por todo esse apoio — ficámos sem palavras. Temos igualmente sido contactados por amigos e apoiantes que nos perguntam se é possível fazer algo para ajudar. Acreditamos que sim.

Apelamos a todos os cidadãos que acreditam na responsabilização, na igualdade perante a lei e na segurança pública para que se juntem a nós, assinando uma petição dirigida ao juiz Chan, solicitando que rejeite a declaração de não contestação (no contest), exija uma declaração formal de culpa relativamente aos quatro crimes graves e imponha consequências significativas e proporcionais à gravidade destes crimes — incluindo medidas restritivas da sua liberdade, prestação de serviço comunitário estruturado ligado à segurança pública e restrições adequadas para proteção da comunidade da sua condução.

As provas apresentadas não revelaram qualquer incapacidade, emergência médica ou falha mecânica no veículo. Os nossos familiares foram mortos em plena luz do dia, num bairro residencial, enquanto a arguida conduzia a uma velocidade extrema. Desde o acidente, não houve qualquer expressão pessoal de arrependimento em audiência pública, nem reconhecimento direto de responsabilidade. A indicação de uma pena suspensa corre o risco de transmitir a mensagem de que quatro vidas podem ser tiradas sem consequências efetivas por parte da justiça.

Este caso não diz respeito apenas à nossa família. Diz respeito à forma como o sistema de justiça responde à perda de quatro vidas inocentes e à seriedade que tal exige. Coloca igualmente a questão de saber se fatores como a idade ou o passado pessoal de um arguido podem, na prática, reduzir substancialmente a responsabilização em situações com consequências tão devastadoras.

Convidamos a todos os que partilham estas preocupações a acrescentar o seu nome à petição abaixo dirigida ao juiz Chan, apelando à sua reconsideração antes da sentença final, solicitando que a declaração de não contestação (no contest) seja rejeitada, que seja exigida uma declaração de culpa relativamente aos quatro crimes e que a pena aplicada reflita a magnitude dos atos criminais da arguida.

O dia 20 de março de 2026, data da sentença, assinala o segundo aniversário da morte do nosso querido bebé Cauê, que faleceu após quatro dias nos cuidados intensivos a lutar pela vida. Esperamos que o Tribunal honre a sua memória — e a memória da sua família — assegurando uma verdadeira responsabilização.

Respeitosamente,

Maria Ana de Mesquita Cabral de Moncada (Mãe e Avó)
Fátima Cardoso (Mãe e Avó)
Plínio de Oliveira Filho (Pai e Avô)
Luis Ramos Pinto (Irmão e Tio)
Denise Cardoso de Oliveira (Irmã e Tia)
Dennis Cardoso de Oliveira (Irmão e Tio)

Petition by

To: Hon. Bruce Chan, San Francisco Superior Court Judge
From: [Your Name]

Re: The People of the State of California v. Mary Fong Lau
Petition for Reconsideration of Indicated Sentence

Your Honor:

We respectfully submit this petition urging the Court to reconsider its acceptance of a no contest plea by Mary Fong Lau to four counts of vehicular manslaughter, as well as its indicated sentence of just two years of probation, without home detention and without community service, in connection with the deaths of Diego Cardoso de Oliveira (40 years old), Matilde Moncada Ramos Pinto (38 years old), Joaquim Ramos Pinto de Oliveira (1 year old) and Cauê Ramos Pinto de Oliveira (3 months old).

On March 16, 2024, Diego and Matilde were celebrating their wedding anniversary with their two infant sons. They were seated in a bus shelter in San Francisco’s residential West Portal neighborhood near a public library when Mrs. Lau drove through the intersection at over 70 miles per hour on the wrong side of the street and struck them. Diego and one-year-old Joaquim were killed instantly. Matilde died the following day from catastrophic internal injuries. Baby Cauê endured days of seizures, brain hemorrhage, paralysis, and irreversible neurological damage before life support was withdrawn. The agonizing decision to withdraw life support was made by his loving grandmothers, Maria Ana (Matilde’s mother) and Fatima (Diego’s mother).

The impact that took these four lives was so violent that family members were denied even the dignity of identifying two of their loved ones’ bodies. The consequences of that day did not end at the crash site. Matilde’s father, João, who was battling cancer, died before seeing justice done. Maria Ana visits a columbarium weekly, speaking to the ashes of her daughter and grandchildren. Fatima described the loss as a void that will never heal.

We understand that the Court has indicated that its current view on sentencing has been influenced by Mrs. Lau’s age, lack of prior criminal history, and perceived remorse. Respectfully, the no contest plea does not indicate remorse and the factors listed by the Court cannot outweigh the magnitude of the harm or the need for proportional accountability.

First, the record does not support that Court’s conclusion that Mrs. Lau has exhibited any remorse, much less sufficient remorse to justify extraordinary leniency. She entered a no contest plea rather than a guilty plea, avoiding an express admission of guilt. Mrs. Lau has never personally apologized in open court. She has never publicly accepted responsibility in her own words. Her explanation for killing four people shifted from confusion while parking to claims of mechanical failure resulting in sudden acceleration, which is unsupported by mechanical inspections, to now claiming she does not know what happened.

Second, shortly after the crash, Mrs. Lau transferred significant real property interests, prompting a Uniform Voidable Transactions Act action to unwind those transfers. A court has since found discovery into her financial affairs appropriate based on her admissions of post-incident transfers. Asset transfers undertaken in the aftermath of taking four lives do not reflect remorse; they reflect an effort to limit exposure.

Third, there is no evidence that justifies something other than gross negligence. There is no evidence of a medical emergency. There is no evidence of a cognitive failure. There was no evasive action and no honking to warn innocent people. This was gross negligence of the highest order, carried out in a residential neighborhood where families gather and children are present.

Two years of probation, without home detention and without community service, is effectively no punishment at all for the taking of four lives. It imposes no meaningful deprivation of liberty. It risks reducing the deaths of two babies and their parents to a regulatory violation rather than what it is—a horrendous criminal act.

Such a sentence would set a dangerous precedent.

If the death of four people—including two babies—results in nothing more than probation, the public message is unmistakable: advanced age can function as a shield from incarceration, even in cases of gross vehicular manslaughter involving multiple fatalities.

The law does not create an age-based exemption from accountability. Yet a probation-only sentence in this case risks creating one in practice. It signals that older drivers may cause catastrophic harm and nonetheless avoid meaningful custodial consequences. It undermines deterrence. It erodes public confidence in equal justice under the law. It communicates to victims’ families that the value of their loved ones’ lives is discounted based on the defendant’s age.

Age and prior record are relevant factors. They do not confer immunity. They cannot transform four deaths into a minor event warranting a meaningless sentence.

If the Court remains disinclined to impose a state prison sentence, we respectfully urge that, at a minimum:

• The Court should reject Mrs. Lau’s no contest plea and her only option be to plead guilty to four felonies;
• A substantial period of home detention with electronic monitoring;
• Significant, meaningful and structured community service related to pedestrian or traffic safety; and
• A referral to the Department of Motor Vehicles by the Court with a recommendation for permanent revocation of driving privileges, rather than a temporary suspension limited to the probationary period.

A meaningful sentence must reflect the magnitude of the harm, the absence of demonstrated remorse, the post-incident conduct, and the need for deterrence.

Nothing can bring back Diego, Matilde, Joaquim, or Cauê. Nothing can repair the permanent damage inflicted on their grandparents parents, siblings, and extended family. But a guilty plea and the sentence imposed will speak powerfully about how our justice system values four lost lives.

We respectfully request that the Court reconsider accepting a no contest plea and its indicated sentence and impose consequences proportionate to the gravity of this case. Justice requires more than Mrs. Lau not admitting guilt and checking in with a probation officer once a month for two years. It requires accountability.

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Hon. Bruce E. Chan
Judge of the Superior Court
Department 24
Superior Court of California, County of San Francisco
850 Bryant Street
San Francisco, CA 94103

Processo: The People of the State of California v. Mary Fong Lau
Petição para Reconsideração da Pena Indicada

Exmo. Senhor Juiz,

Vêm os subscritores, com o devido respeito, apresentar a seguinte petição, requerendo a V. Ex.ª que reconsidere a aceitação da declaração de “no contest” apresentada pela Sra. Mary Fong Lau, bem como a pena de dois anos de pena suspensa, sem prisão domiciliária e prestação de serviço comunitário, aplicada relativamente aos quatro crimes de homicídio involuntário por negligência grave com veículo automóvel, que resultaram na morte do Diego Cardoso de Oliveira (40 anos), Matilde Moncada Ramos Pinto (38 anos), Joaquim Ramos Pinto de Oliveira (1 ano) e Cauê Ramos Pinto de Oliveira (3 meses).

No dia 16 de março de 2024, o Diego e a Matilde celebravam o seu aniversário de casamento na companhia dos seus dois filhos menores, encontrando-se sentados numa paragem de autocarro situada no bairro residencial de West Portal, em São Francisco, junto a uma biblioteca pública, quando a arguida atravessou o cruzamento a velocidade superior a 110 km/h, circulando em sentido contrário ao legalmente estabelecido, vindo a embater violentamente nas vítimas. Diego e o menor Joaquim faleceram no local. Matilde veio a falecer no dia seguinte, em consequência de lesões internas de extrema gravidade. O bebé Cauê permaneceu vários dias em estado crítico, sofrendo convulsões, hemorragia cerebral, paralisia e danos neurológicos irreversíveis, tendo sido desligado o suporte vital de vida por decisão das suas avós, Maria Ana e Fátima, após esgotadas todas as possibilidades médicas de sobrevivência.

A violência do embate foi de tal ordem que não foi permitido aos familiares identificar dois dos corpos. As consequências deste evento não se circunscreveram ao momento do sinistro. O pai da Matilde, João, encontrava-se em tratamento oncológico, vindo a falecer sem assistir ao desfecho judicial do caso. A mãe da Matilde, Maria Ana, desloca-se semanalmente ao cemitério para prestar homenagem às cinzas da filha, do genro e dos netos. A mãe do Diego descreveu esta perda como um vazio permanente e irreparável.

Segundo as declarações proferidas em audiência, V. Ex.ª ponderou, para efeitos de determinação da pena, a idade da arguida, a ausência de antecedentes criminais e a existência de arrependimento. Com o devido respeito, entende-se que tais circunstâncias não podem prevalecer sobre a extrema gravidade objetiva dos fatos, nem sobre a necessidade de assegurar uma resposta penal proporcional.

Em primeiro lugar, não se encontra demonstrado nos autos qualquer arrependimento efetivo suscetível de fundamentar uma mitigação excecional da pena. A arguida optou por uma declaração de “no contest”, evitando uma admissão expressa de culpa. Não apresentou pedido de desculpas em audiência pública, nem assumiu responsabilidade direta e inequívoca pelos fatos. As explicações apresentadas quanto às causas do sinistro foram sucessivamente alteradas, passando de alegada confusão durante manobra de estacionamento para invocação de falha mecânica — não corroborada pelas várias inspeções técnicas — culminando na afirmação de desconhecimento quanto ao sucedido.

Em segundo lugar, verificou-se que, logo após o acidente, a arguida procedeu à transferência de bens imóveis, circunstância que motivou uma ação judicial ao abrigo da Uniform Voidable Transactions Act destinada à reversão dessas transferências. Tal conduta não é compatível com a demonstração de arrependimento, mas sim com a preocupação de limitar o impacto da sua responsabilidade no respetivo património.

Em terceiro lugar, não consta dos autos qualquer elemento probatório que permita afastar a qualificação dos fatos como negligência grosseira. Não há evidência de emergência médica ou incapacidade cognitiva súbita. Não houve manobras evasivas nem utilização da buzina para alertar pessoas inocentes. Verificou-se negligência grave numa zona residencial, frequentada por famílias e crianças.

A aplicação de dois anos de pena suspensa, sem prisão domiciliária e prestação de serviço comunitário, não contempla qualquer restrição efetiva da liberdade, não refletindo uma penalização real pela morte de quatro cidadãos, incluindo dois menores. Tal pena corre o risco de reduzir a morte de dois bebés e dos seus pais a uma mera infração administrativa, não sendo compatível com a gravidade do ato — um ato criminoso de extrema gravidade.

Esta sentença pode abrir um precedente perigoso.

Se a morte de quatro pessoas, incluindo dois bebés, resultar apenas em pena suspensa, transmite-se uma mensagem clara aos cidadãos de que a idade avançada pode funcionar como escudo para evitar prisão, mesmo em casos que envolvam múltiplas mortes por homicídio involuntário por negligência grave com veículo automóvel.

A lei não consagra qualquer regime de exceção baseado na idade. Contudo, uma sentença exclusivamente de pena suspensa arrisca criar essa exceção na prática. Tal decisão poderá transmitir a ideia de que condutores idosos podem causar danos catastróficos e, ainda assim, evitar consequências privativas de liberdade significativas. Isso prejudica a confiança dos cidadãos na igualdade perante a lei. Comunica às famílias das vítimas que o valor da vida dos seus entes queridos é minimizado em função da idade da arguida.

A idade e a ausência de antecedentes criminais são fatores relevantes, mas não conferem imunidade. Não podem reduzir a morte de quatro pessoas a uma resposta penal meramente simbólica.

Caso V. Ex.ª entenda não dever aplicar pena de prisão efetiva, respeitosamente requer-se que:

• Seja apenas admitida a declaração expressa de culpa, e não a declaração de “no contest” relativamente aos quatro crimes;

• Seja determinada prisão domiciliária com monitorização eletrónica por um período substancial;

• Seja imposto serviço comunitário estruturado e diretamente relacionado com segurança rodoviária ou proteção de peões;

• Seja comunicada ao Departamento de Veículos Motorizados recomendação de revogação permanente da carta de condução, e não mera suspensão temporária limitada ao período da pena suspensa.

Uma decisão penal deve refletir a magnitude do dano causado, a inexistência de arrependimento demonstrado, a conduta subsequente aos fatos e a função dissuasora do direito penal.

Nada poderá restituir as vidas do Diego, da Matilde, do Joaquim e do Cauê, nem reparar o sofrimento permanente imposto aos seus familiares. Todavia, a forma como o Tribunal qualificar juridicamente os fatos e determinar a respetiva consequência penal constituirá uma afirmação inequívoca do valor que o sistema de justiça atribui a quatro vidas perdidas.

Nestes termos, requer-se a V. Ex.ª que reconsidere a aceitação da declaração de “no contest”, bem como a pena indicada, aplicando uma consequência penal proporcional à gravidade objetiva do caso. A justiça exige mais do que a Sra. Mary Fong Lau não admitir culpa e apresentar-se mensalmente perante um oficial de justiça durante dois anos. A justiça exige responsabilização.